domingo, setembro 23, 2007

um filme

Uma câmera que imite a visão humana. Duas, na verdade: o olho direito e o esquerdo. Instaláveis nos olhos. A imagem pisca. Silêncio, às vezes, para ouvir os sons que vêm de dentro. Com óculos sem óculos. Nariz aparece. Cabelo também. A voz que nós escutamos e a que os outros escutam. O inverso no espelho. Deitar. Olhos fechados: preto com bolinhas de luz. Paciência spider. Olhos abertos olhos fechados. Paciência... carneirinhos! Pensar sobre o não pensar. Sobre só sentir o dormir ao acordar. Sobre sonhos que se sonham acordado... Sonho. Volta a imagem, com cores saturadas. Os olhos e olhos que nos olham. A imagem que temos de nós. Ou a que gostaríamos de ter. Pular, sacudir os braços e voar. Mexer os braços para cima e para baixo e subir. Ver tudo de cima. Concluir que o sonho é um sonho e cair. Cair em si. No próprio corpo. E acordar. No escuro.