segunda-feira, maio 03, 2010

Será que é o contrário a vida da atriz?

Falta uma semana pro meu aniversário. Todos os anos me surpreendo com isso. Por que de novo? Também, mal a gente se acostuma com uma idade, pronto, já é outra. Parece que depois de uma certa época da vida da gente, aniversário não é mais festa: é lembrança dos tempos em que os aniversários eram sinônimos de festa. (Cita Fernando Pessoa) "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...". Bom, mas ainda bem que eu estou com essa peça em cartaz. Isso é ou não é uma forma de festa? Ainda mais lotando todas as noites! (Bate na madeira) Se não fosse isso, já me dava vontade de ficar em casa, me enroscar embaixo das cobertas comendo bombom e encarando qualquer coisa na televisão. E ainda rezando para que nenhum amigo bem intencionado venha interromper.
É assim que eu sou. Gosto de gente e de solidão. Adoro o público mas , às vezes, não suporto o "privado". Ficar "a sós com alguém" na vida real é uma coisa que, muitas vezes, me apavora. Na vida real, esqueço o texto; as marcas, não sei o momento certo de entrar ou sair de cena. Acho que se deveria ter sempre um roteiro à mão pras horas em que a gente não sabe o que fazer ou dizer. E quem não me conhece muito bem acha impossível que isso aconteça também comigo. Devo ter alguma coisa em gêmeos! Não é que eu não seja "nem uma coisa nem outra". O problema é que eu sou as duas! E com igual convicção em cada uma!
(...)


Este é um trecho do monólogo Será que é o contrário a vida da atriz?, da Vera Karam, que eu representei em 2002.

Falta um mês pro meu aniversário. E sim, eu sou de gêmeos!

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